quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A dívida pública, a TR e a perda real de valor do FGTS

Nota: esse post foi originalmente publicado no Blog do Instituto Mises Brasil. Clique aqui e conheça.

De novo, o FGTS. Comentei a postura do presidente Lula, que usa o dinheiro de cada trabalhador em favor do atual governo (sim, porque construção de casas populares, que segundo o governo é a real razão de existir do FGTS, é uma medida populista).

Hoje, vamos falar sobre uma das principais manchetes do dia - a perda real de valor dos FGTS, que renderá 3,9% em 2009, abaixo da inflação do ano, que deve fechar em 4,27% segundo as previsões oficiais. O FGTS é reajustado pela TR, que teve seu cálculo modificado por conta das constantes quedas na SELIC (para entender o que é e como funciona a SELIC, clique aqui e aqui). Com a queda da TR mensal, o trabalhador que tem dinheiro no FGTS (como é o meu caso), perdeu dinheiro este ano, em lugar de ganhar (ou pelo menos empatar com o que tinha no ano anterior). Na ponta do lápis: Quem tinha R$ 1000,00 no FGTS ano passado terá R$ 1039,00 esse ano. Por outro lado, um produto que custava R$ 1000,00, custará R$ 1042,70 esse ano, se for corrigido conforme a inflação. Ou seja: os R$ 1000 que compravam o produto o ano passado, não o compra este ano, porque os rendimentos do fundo não repuseram as perdas com a inflação.

Vamos entender o porquê. A TR é uma taxa de juros calculada com base na taxa média mensal ponderada ajustada de 30 instituições selecionadas. Essa taxa foi criada no Plano Collor II para ser o principal referencial dos juros a serem aplicados no mês vigente, sem refletir a inflação do mês anterior. O cálculo da TR é constituído pelas 30 maiores instituições financeiras do país (considerando o volume de captação de Certificado e Recibo de Depósito Bancário - CDB/RDB). Esta taxa (TBF) recebe um redutor "R" objetivando extrair as parcelas referentes à taxa de juros real e à tributação incidente sobre o CDB/RDB. Assim, temos o valor da TR. Até março de 2007, o redutor da TR era de 0,32 para uma TBF projetada entre 13% e 12% ao ano, 0,28 para TBF de 12% e 11% ao ano e 0,24 para TBF de 11% ao ano.

Só que, com o Copom reduzindo constantemente o valor da SELIC, os fundos de investimentos convencionais, que são os maiores responsáveis por comprar títulos do governo (ou seja, financiar a dívida pública), passaram a render quase tanto quanto a poupança, que tem a vantagem de não receber a tributação do imposto de renda. Com isso, parte do fluxo de capitais migrou dos fundos para a poupança. E como esse movimento afeta diretamente às contas governamentais, era preciso fazer algo.

A atitude que mais causou gritaria e acabou sendo engavetada pelo governo foi a cobrança de imposto de renda sobre a poupança. Contudo, outra medida foi adotada sem causar tanto barulho assim: a mudança no cálculo da TR - que também é a responsável por fixar os juros desta aplicação.

Sendo assim, o Conselho Monetário Nacional determinou que o redutor da TR seria também de 0,32 para as duas menores faixas da TBF, reduzindo assim o rendimento da poupança. Para as faixas acima de 13%, os valores do redutor permanceram os mesmos. Resumindo: sempre que a TBF/TR ficar abaixo de 12%, a poupança renderá menos que antes, já que o redutor é maior.
Resumindo a história: para proteger o financiamento da dívida pública, o governo não apenas reduziu os rendimentos de quem tem dinheiro aplicado na caderneta de poupança como também, aplicou perdas reais aos trabalhadores que possuem dinheiro no FGTS - que, não custa lembrar, é um fundo compulsório, ou seja, você não tem opção de mudar de aplicação, só podendo retirar seu dinheiro da conta em caso de demissão. Outro efeito colateral da mudança no cálculo da TR foi "beneficiar" os mutuários do Sistema de Financiamento Habitacional, cujas dívidas são corrigidas pela TR e, por conseguinte, ficaram menores com a mudança no cálculo.

É isso mesmo: para proteger o financiamento estatal, o governo não só puniu os poupadores como acabou beneficiando devedores. Se isso não é abuso de poder, alguém poderia me explicar o que é?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Rapidinha

Aquela velha desculpa de sempre: o tempo, claro. De qualquer forma, são três notas que vi na quarta-feira no jornal e que, para mim, deveriam ser as manchetes principais.

1. Secretaria do Desenvolvimento Econômico abre processo contra o "litrão" da Ambev. Segundo a Abrabe - Associação Brasileira de Bebidas, o litrão impõe custos ilegítimos à concorrência.
2. Índia compra 8% da produção total de ouro do mundo no ano passado.
3. Comissão do senado aprova projeto que permite que pessoas de baixa renda possam fazer financiamento imobiliário mesmo tendo o nome sujo.


Meus comentários:

1) Essa ação conta a Ambev é tão ridicula, tão chororô de empresário incompetente que usa o estado para se dar bem, que nem dá para comentar. O litrão de cerveja existe em todos os outros países do mundo e ninguém morreu ou faliu por isso (exceto os incompetentes). Só aqui no Brasil o empresariado é incompetente ao ponto de reclamar da embalagem do concorrente. Sim, porque é mais cômodo pedir que o Estado diminua a competitividade de uma das maiores empresas do país, que emprega milhões de pessoas, do que tentar melhorar seu produto.

2) Os indianos é que não nasceram ontem. Já perceberam que o dólar vai miar e estão investindo ainda mais no metal (a Índia é o país que mais consome ouro no planeta). Perceberam que papel moeda que é impresso como se fosse água salgada no mar não vale absolutamente nada. Será que eles aprenderam com o Peter Schiff?

3) Eu gostaria realmente se os nobres senadores - que, provavelmente, devem ser genios em economia - já ouviram falar em uma tal de crise mundial que acabou com a economia americana e do resto do mundo graças à concessão de empréstimos para mau pagadores de classe média baixa nos Estados Unidos.

Alguém acorda essa turminha ai e traga-nos de volta pra vida real?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A imprensa

Como jornalista, eu particularmente me incomodo com essa mania de perseguição que parte da torcida do Palmeiras tem em relação à imprensa. Tem muita gente que enxerga pelo em ovo e acha que a função do jornalista é elogiar - e não é. De qualquer forma, digamos que há certos veículos de comunicação que dão razão para essa picuinha da torcida.

Não, não vou falar da matéria da Placar. Porque muita gente já escreveu sobre isso. E porque não achei a matéria tão ruim assim, embora ouvir o Mustafá como fonte só mostra que ou o jornalista que a redigiu ou é burro ou cretino. Sim, porque um cara que acha que, antes de títulos, um time de futebol tem que dar lucro, é porque é burro ou desonesto. No caso do Mustafá, acredito que a hipótese mais provável seja a número dois.


Whatever, estou escrevendo esse post por dois motivos: pela manifestação da torcida do Palmeiras ontem, mandando a imprensa ir tomar bem naquele lugar, no final da partida e pelo Lance! nosso jornal diário esportivo.


Primeiro, quero deixar claro que considero o Lance um jornal sensacionalista, que estampa manchetes idiotas de propósito, só pra ter Ibope (vide a manchete "Gladiador da Fiel" que eles estamparam no início desse ano). Dai, já dá pra ver o tipo de jornalismo que o Lance faz. Mas a "bambinagem"do jornal nesses últimos dias tem passado dos limites. Além de forçarem a barra com esse papo ridículo de Jason, os caras não conseguem nem escrever um texto na internet que seja sem erros grotescos de português. Não sei se puseram o estagiário ou o faxineiro pra escrever, mas quando eu era trainee do Lance, meus textos tinham menos erros, com toda a certeza.



Vejam:






Então, vamos lá:
O jornal tem uma linha editorial sensacionalista;
Cria factóides idiotas só pra vender;
Torce descaradamente para um time;
E, ainda por cima, estupra a língua portuguesa sem dó nem piedade.

Quer saber?

Se a torcida do Palmeiras tiver um pingo de vergonha na cara, e se o Palmeiras for campeão, todos os palmeirenses deveriam não comprar um mísero exemplar desse jornaleco. Que todos os exemplares mofem nas bancas. Quem sabe assim, o dono desta espelunca consiga perceber que respeito é bom e todo mundo gosta.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Entendeu?

Todos sabem que eu respeito muito o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzo. E, ao mesmo tempo, só posso desprezar qualquer palpite, argumentação e teoria macroeconômica que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo possa dar. Entendam o porquê:



Sem pé nem cabeça
Por Cristiano Fiori Chiocca para o Blog do Instituto Mises Brasil:

Recentemente o Ministro da Fazenda impôs IOF de 2% sobre a entrada de dólares.
Uma medida fadada ao fracasso; o dóar vai continuar caindo. Os defensores da medida não conseguiram, até agora, produzir um único argumento que a justificasse.

Porém, Luiz Gonzaga Belluzzo (aquele mesmo do abilolado Plano Cruzado) superou todos no non sense. Ao ser questionado, saiu-se com as seguintes respostas em uma curta entrevista no jornal Folha de S. Paulo. Tentem entender:

FOLHA - Qualquer intervenção no câmbio parte do pressuposto de que existe uma cotação correta e outra errada. Qual seria a correta?
BELLUZZO - Quando o dólar foi a R$ 2,50, estava muito bom para a maioria das empresas. O problema é que deixaram o real se valorizar.

FOLHA - De onde o sr. tira a convicção de que intervenções do governo no câmbio funcionam, a médio e a longo prazos?
BELLUZZO - Não funcionam? Eu não sabia. Então vai ver que é um problema de temperatura. Só não funciona nos trópicos, no Brasil. Só funciona nos climas temperados. É isso.


Nota do Blog: Belluzzo, por favor, concentre-se no Palmeiras, faça esse bando de vagabundos jogarem bola e ganharem o título do Campeonato Brasileiro pra gente. E pare de falar abobrinhas, por favor.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Voltando do abandono

Sei que o blog está às moscas, mas estou absolutamente sem tempo para coisa nenhuma. Então, resolvi postar aqui um clássico do universo feminino. O dicionario de palhaços, retirado do blog Homem é tudo Palhaço.


Palhaço cristão - Ele sente culpa, muuuuita culpa. É capaz de trair a namorada, mas repete incessantemente que não se sente bem fazendo aquilo. Quer largar a mulher, mas não abre mão do trio propriedade-religião-família. Conhecido também como palhaço cagão.

Palhaço Biba - É aquele palhaço que não assume ser bicha. Ele é muito amigo do seu namorado e fica falando mal de você por aí. É o pior tipo. Bicha enrustida e ciumenta.

Palhaço Cadeia - É um aprendiz de palhaço. Apaixonado, dedicado, mas sempre palhaço. Afinal, homem que é homem é palhaço. Ele acha que relacionamento é cadeia: cada dia de bom comportamento vale uma palhaçada. São bonzinhos, portanto merecem crédito.

Palhaço Repetitivo - Como diria um motorista lá do DIA, esse é o famoso "tira o som e deixa só a imagem". Quanto mais tempo calado melhor. Tem a péssima mania de cantar mulheres com a mesma cantada e ainda pior, mulheres que se conhecem. Além de repetitivo é burro.

Palhaço Franklin Martins - É o palhaço metido a saber e comentar de tudo. "Homem não gosta de mulher tatuada" ... "Homem não gosta de mulher que bebe .." É metido a ser a pedra filosofal da masculinidade. Sabe de tudo, mas não come mulher nenhuma.

Palhaço Político - Esse só promete .."Vamos casar ...", "Vamos ter filhos ..." Não preciso dizer que tudo fica somente na promessa. Geralmente eles fogem na hora que o bicho pega.

Palhaço Número Um - (complete com o nome do palhaço do momento)

Palhaço Glenn Close - Tipo perigoso. Depois que você termina com ele, o bruto transforma sua vida num inferno. Faz ameaças, liga pra sua casa de cinco em cinco minutos, tem crises de ciúme .. todos lembram de "Atração Fatal", certo?

Palhaço Fantasminha - Ele some. Desaparece. Evapora Você está na boite, dá uma distraída e ele ... some. Tipinho sem classificação.

Palhaço literato - Ele costuma reescrever seus e-mails com palavras rebuscadas, lindas e de pouco uso. Meio cafona, apesar de bem intencionado.

Palhaço sem loção - Ele vê Robertinha na rua ou na boite já vai pedindo para entrar aqui no blog. Ah tá, né? Tá pensando que a vida é fácil? Vai ralar e fazer uma palhaçada!

Palhaço sexo oral - Promete que vai te comer em pé, deitada e de quatro, narra orgasmos incríveis, diz ser um amante sensacional mas tudo fica por isso mesmo. Blá, blá, blá e nada de coito.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Blogue sua infância

Descobri que depois de uma certa idade, Dia das Crianças pode ser uma coisa muito chata. Ir às Lojas Americanas na véspera desta data e ter que aguentar crianças malcriadas que berram sem parar, pais que não sabem fazer os filhos se comportarem em público e "Lua de Cristal" com aqueles acordes típicos dos anos 80 e a voz irritante da Xuxa é algo realmente desagradável. Ok, talvez eu esteja sendo deveras ranzinza, mas me pergunto realmente como é que algum dia a Xuxa já fez sucesso. O problema não é a melodia lugar comum ou as letras clichês. O problema é a voz da Xuxa mesmo. Agora, pior que esta dúvida, é entender como hoje em dia ainda tem maluco que coloca uma porcaria destas de trilha sonora de uma loja. Preferia mil vezes RBD, Chiquititas ou Hanna Montana. E é sério isso.

De qualquer forma (e independente do mal gosto musical alheio), hoje é dia das crianças e eu consigo lembrar de inúmeras coisas da minha infância. Um tem a ver com a famigerada apresentadora infantil. Eu devia ter uns cinco anos e um prefeito engraçadinho resolveu fazer o povo de palhaço. Contratou uma "Xuxa Preta" para um show do dia das Crianças. Só esqueceu de avisar que a cantora era uma cover bronzeada. E lá fui eu para o Ginásio achando que iria ver a Xuxa cantar ao vivo (ok, eu tinha 5 anos e naquela época, acreditava que a Xuxa poderia ir em Glória de Dourados, 10 mil habitantes, no interior do Mato Grosso do Sul). Sim, imaginem minha decepção...

Acho que foi por conta desse episódio que deixei de gostar da Xuxa e passei a gostar da Angélica. E quase quebrei a casa inteira para ganhar uma fita K7 da outra loira, o que vinha com o hit "Vou de Táxi". É, tenebroso e vergonhoso, mas dêem um desconto, eu tinha 6 anos.

Da minha infância também lembro dos livros da Agatha Christie. Quando li "O mistério do trem azul", eu tive certeza que seria escritora quando crescesse. Devorei todos os livros dela e fiquei viciada em romances policiais. Hoje, não tenho tal pretensão, mas talvez tenha ficado no inconsciente a vontade de ser escritora (coisa que nunca vai acontecer, como os nobres leitores podem perceber lendo esse blogue, o talento passou longe de mim).

Uma passagem muito marcante na minha vida foi a cadeirada que eu quase dei em um colega de escola quando estava na quinta série. Eu estudava numa escola pública e nem todos os assentos tinham encosto, o que fazia com que nós, alunos, brigássemos literalmente por uma cadeira. Eu tinha um colega de classe, o Jefferson Tubarão, que sentava atrás de mim e era um mala sem alça de marca maior. Uma vez, eu peguei a cadeira e ele tentou tomar de mim. Eu puxei con tudo e só não dei na cabeça dele porque a professora impediu. Por conta dess episódio, o Jefferson fez um boicote e pediu que nenhum menino fosse à minha festa de aniversário de 11 anos. O boicote deu em parte certo: apenas um colega foi à minha festa. A parte boa é que o menino em questão era o Henrique (um ótimo amigo até hoje), que, na época, era o menino mais bonito da classe. Não que eu ligasse pra ele, mas só de poder chegar no outro dia na escola, virar para o Jefferson e falar: o Henrique foi na minha festa, tive um prazer à época que facilmente poderia ser comparado a um orgasmo hoje em dia. Um adendo: esse colega mudou de cidade um ano depois. Só o vi novamente uns cinco anos atrás, durante férias da faculdade. E não é que o menino ficou gato?

Voltando a minha infância, também me lembro de passar minhas tardes de verão no Caiçara, o clube da minha cidade, tomando banho de piscina, jogando videogame e suspirando pelo Márcio, meu primeiro amor. E sendo alvo de risadas de todo mundo, porque não bastava eu ser muito feia, ainda fui gostar de um cara mais feio ainda que não me dava bola. É, acontece... De qualquer maneira, as tardes de verão no Caiçara eram ótimas.

Da minha infância lembro ainda da Renata, que hoje é uma grande amiga, fazer com que toda a escola parasse de conversar comigo, porque passei cola para uma menina que era "do sítio" e que ela não gostava. Foram meses sendo rejeitada por todos, que riam e me chamavam de gorda nerd. Sim, crianças são ruins, malvadas e não têm o menor peso na consciência.

Por outro lado, lembro de andar de patins junto com a Daniela e o Neto. os dois eram meus vizinhos e tínhamos a clássica relação de amor e ódio que todas as crianças têm. A gente brigava, ficava de mal, inventava apelidos estapafúrdios uns para os outros e, dali a pouco, estávamos todos brincando juntos novamente. Devo muitas recordações a estes dois. O Neto tinha um SuperNintendo e foi graças a ele que eu conheci Mário, Street Fighter e Mortal Kombat. Também devo agradecer à Dani pelas tardes infinitas brincando de casinha na casa dela.

Voltando à Renata e acrescentando a Nicole ao relato, eu tive uma fase muito boa com essas duas. Vivíamos na casa da Nicole (que tinha todos os briquedos que todo mundo sonhava e queria) brincando lá. A desculpa, claro, era fazer tarefas escolares (não consigo entender como pais acreditam nisso). E pulávamos elástico.

Aliás, brincar de elástico era regra no recreio da escola, assim como responder os cadernos de pergunta (que, na verdade, era desculpa pra tentar descobrir quem gostava de quem). outra coisa divertida era mexer com os loucos da cidade. Tinha um cara, que vivíamos chamando de professor linguiça e saíamos correndo do homem, coitado. Também tinha a Fátima doida. e o Primo Ramo. Personagens inesquecíveis da infância de qualquer pessoa que foi criança em Glória.

Outra pessoa que hoje é muito minha amiga mas me infernizava quando eu era criança é a Cássia. A Cássia implicava com meus vestidos rodadinhos e vivia mexendo comigo quando eu passava perto da casa dela. Ela me achava "mocoronga". Talvez ela tivesse razão, mas pelo que me lembro, a recíproca era verdadeira.

Uma coisa que me lembro da minha infância é que eu achava todo mundo burro e tinha plena consciência que jamais seria a menina mais popular da escola. Mas eu me considerava mais inteligente que 90% das pessoas (menos a Renata) e talvez era um tanto quanto introspectiva devido a esse desprezo intelectual que eu tinha do resto do mundo. Ou talvez isso era só uma válvula de escape para eu compensar o fato de que não era linda e nem tinha os brinquedos mais desejados. De qualquer forma, eu me divertia muito e era feliz.

A parte mais legal de tudo é ver o quanto tudo isso te influencia hoje. Sem dúvida nenhuma, todas essas situações moldaram meu atual caráter. E eu tenho que agradecer a todos os amigos de infância. Eu fui uma criança feliz e sou uma adulta muito melhor por tudo isso.Momento ruins ou bons, eu só quero aproveitar esse dia para agradecer aos meus amigos. Que hoje também são adultos, que são ou não meus amigos. Mas que serão eternamente presentes na minha vida.

Feliz Dia das Crianças para todos!
Mas, please, eduquem bem seus filhos. Odeio criança birrenta e escandalosa. Exatamente por não ter sido uma.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ok...

Sim, eu preciso atualizar esse blog.
Não, agora não dá.


Novidades no feriado.
Aguardem.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Como acabar com o seu bar em dois posts

A grande merda de morar num país que vive um capitalismo de Estado, não de mercado, é que grande parte dos empresários não conseguem entender que quem manda no negócio não é ele, mas o consumidor.

Vamos ao caso.

O blogueiro RAfael Quatrocci, do Blog Resenha em 6, fez uma visita ao Boteco São Bento, filial Vila Madalena. A opinião dele, ele postou no blog. Vejam:

Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento. Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.

Opinião normal, de um cliente que se sentiu lesado. Eu mesma, certa vez, sai revoltada do São Bento Itaim, por conta do péssimo atendimento da hostess que, além de ter feito eu e uma amiga esperarmos meia hora, porque ela estava de papo com um carinha, ainda fez cara de bosta quando nos atendeu. Simplesmente fomos embora.

Mas, até ai, tudo bem. O problema foi a reação da direção do bar.

Eis que o dono do São Bento entrou no blog e postou os seguintes comentários:

Caro, Raphael Quatrocci ...Não entendi tamanha revolta e depreciação em relação ao nosso estabelecimento. Como um bar com a dimensão do São Bento pode ser diminuído dessa forma?
Estamos tomando as devidas providências em relação a esse blog.


Caro Raphael,Felizmente não precisamos de clientes do seu perfil. Primeiro lugar, publica uma matéria sobre o bar e não se informa direito sobre o número de estabelecimentos que temos propriedade. Segundo, nosso chopp, da unidade da Vila Madalena, é o mais vendido da região. Só sugiro que evite críticas deste "nível" pois nossa assessoria de imprensa busca corrigir comentários maldosos de pessoas que só procuram se popularizar.
Agora, não entendi a forma ofensiva do senhor Raphael e o senhor Eduardo se manifestarem. Quanta imaturidade.



Precisa dizer mais alguma coisa?

Primeiro: o cliente tem sempre razão. SEMPRE! É lamentável que alguns idiotas não entendam isso.

Segundo: se alguém critica seu estabelecimento, o que um empresário deveria fazer? Analisar as críticas e tentar corrigir o problema. NUNCA se deve desqualificar um cliente porque ele não gostou do seu serviço.

Terceiro: Ameaçar com processo, censurar a internet? O cara só conseguiu viralizar algo de forma NEGATIVA. Digamos que mil pessoas tenham lido o texto. Provavelmente, metade delas irá falar mal do lugar (assim como eu estou fazendo aqui), tentando convencer seus amigos não pisarem mais lá. Quantos potenciais clientes o babaca perdeu?

Da minha parte, eu já não gostava do São Bento, pelos motivos dados pelo Rafael e pelo problema com a hostess. De agora em diante, peço que, quem tem o mínimo de bon senso, NÃO pise os pés no bar desse troglodita idiota. Nós, consumidores, é quem mandamos no mercado. E empresários babacas como esse têm mais é que ir à falência mesmo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A choradeira (duplamente) bambi começou

Não teve jeito: com cinco pontos à frente de Goiás e São Paulo e seis à frente do Inter, o Palmeiras definitivamente virou o alvo dos adversários.

Como muito já se falou da vitória de sábado, hoje quero comentar duas declarações dadas na imprensa, pelo volante Richarlysson, do São Paulo, e pelo vice-presidente de futebol do Inter, Fernando Carvalho. Vejamos as declarações:

"O futebol pune muitas coisas. Se pegar o jogo entre Palmeiras e Atlético-PR, foi um pecado. O Palmeiras fez seus gols em um chutão e em uma bola parada. Depois, o Danilo ainda tirou uma bola em cima da linha". (Richarlysson)

"Um dia o Palmeiras vai pagar. Ontem (sábado) mesmo, foi uma injustiça aquela vitória sobre o Atlético-PR. Eles têm vencido jogos no detalhe, e o detalhe pode acontecer também ao contrário. Por isso, nossas chances ainda são boas. Agora, temos de nos recuperar desse empate em casa vencendo o Coritiba no Couto Pereira". (Fernando Carvalho)

Sentiu o tom de recalque, dor de cotovelo e inveja? Parece discurso orquestrado. Sempre querendo desmerecer as vitórias do Palmeiras, sempre querendo por em dúvida o futebol do time e a legitimidade das nossas vitórias (como foi no jogo contra o Cruzeiro, que reclamaram de 900 pênaltis não marcados).

No caso do volante são-paulino, eu fico me perguntando se esse comentário é decorrente da falta de vergonha na cara ou da falta de mémoria mesmo. Afinal, o São Paulo ganhou 3 brasileiros jogando na retranca e fazendo gols via chuveirinho na área. Sobre o Fernando Carvalho, além dele ter descoberto a América (o futebol se ganha nos detalhes, ó), só posso dizer que ninguém tem culpa se eles têm um técnico incompetente.

Mas é aquela coisa... Deixa falar. Enquanto eles reclamam, choram, fazem birrinha, a gente vai se isolando cada vez mais na liderança.

Doze jogos para o título! Vai Palmeiras!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Momento Jabá



Se algum dos quatro leitores do blog for carioca, fica aqui o convite para o lançamento do livro "Economia do Indivíduo: o legado da Escola Austríaca", uma ótima obra introdutória ao pensamento econômico da EA, escrito pelo Rodrigo Constantino, colunista do jornal O Globo e membro do Conselho de Administração do Instituto Mises Brasil, entidade na qual, com todo orgulho, eu trabalho. Por sinal, essa é minha estreia como "produtora" de livros.

Aguardo todo mundo lá!